Entre a cama e a parede
há espaço suficiente
para se entregar
às eternas garras
da vida na carne
Entre a cama e a parede
há quatro dias sem fim
quatro noites afins
e o quarto inteiro
um jardim
de rosas embaladas
em filó
No quarto de Hélio Oiticica
há uma espremeção
que mata a gente
um pouco aos poucos
um pouco devagar
Há um não sei quê
de sem caminho
um retrato sozinho
na mente
e um monte de lembrança
Como a vida é sacana
e como é duro amar o bicho e suas sete cabeças
todas as sete vezes setenta
que elas surgirem rugindo
Esse desalinho espremido
gemido quase mudo
mas em fúria
toda essa rachadura
do limite
a dinamite que explode
Tudo isso eu tenho montado
no quarto de Hélio Oiticica
onde eu durmo