A escola não me calçou
Não me deu um par de botas para caminhar aos trancos
Não colou minha costela emprestada, direito
Não despertou meus visionários sonhos
E se não perverteu minha fé absoluta
Também não converteu meus demônios em fase de birra
Não acendeu nenhum incenso para acalmar minha ira
Apenas fincou sua bandeira de uma desinteligência arcaica
Da forma mais prosaica
No topo da minha cabeça
Essa, que quer que eu a obedeça
Mas não
O que apreendi foi sozinha
Eu e eu mesma em minhas ladainhas
De um canto em furor quase mudo
Minhas dores todas levam acentos agudos
Assim como a minha alegria

Peixes

Peixe náutico
nautilus peixe
peixe neptunus
peixe maré-marés
peixe serra
serra peixe
peixe feixe
peixe eixo
peixe baixo
gordo peixe
peixe contra
verso peixe
peixe ungido
peixe vinho
peixe hóstia
ave peixe
peixe terno
eterno peixe
peixe nada
nada peixe
peixe voa
voa nada
peixe pouco
muito peixe
rima peixe
nada nada

Peixe nunca pescado
morre sempre no mar

A poesia não resolve nada
mas o poeta não é um solucionador
é só um poeta