Vazio imenso como a morte
dentro de mim
Como a falta que à morte dá caráter imenso
Incomensurável vazio universo
dentro de mim
Corre uma lágrima saudosa de mim
Não me encontro mais, imensa
Onde aquele avesso? Núcleo, denso
Perambulo sombra
Preâmbulo do esquecimento das estrelas,
do brilho do meu olhar, ontem
cheio de um universo infinito intenso
Agora só, vazio, vão, pretenso
Já não me chamo, não me nomeio
me esqueço, me deito
sobre a infinita falta que sinto de mim,
aluada
É assim que nos desfazemos
do dia dentro de nós
Sob súbita noite escura,
silenciosa,
despovoada.

Erma

Eu não existo mais
Perdi o meu nome nas páginas
Dos livros de poesia
Das odes à poesia
Do canto da poesia
Que eu não canto mais
Eu não existo mais
Eu não me chamo mais
Nem que quisesse, eu me ouviria
Tudo dentro assaz e
Há algum alarde nessa hospedaria
Não me despeço mais
E não me esqueço pois
Nem que pudesse eu ousaria
Eu só sinto mais
Somos muitos nós
Estamos muito sós
E eu não existo mais
Se você chegasse não me encontraria