Nossa idade da razão
de pedra
Da tecnologia
das cavernas
Do terceiro milênio
– idade média
Ainda se espanta:
com o homem que busca
pão no lixo
Não com o pão
no lixo
ou com o lixo
ser pão
Fome
Flúmen
Minha mãe era um monstro de água
carregada de toda a água do mundo
dada a lunações e marés, tsunamis
enchentes, danações, fins de mundo
Toda essa mítica apocalíptica
de que tudo vai acabar
e acaba
Tinha o rosto redondo da lua
dentro da noite de seus olhos escuros
Talhe de dríade sul americana
de etnia terena, talvez
E aquela tineta alemã
desconcertante e pontual
igual a uma usina de automóveis
de feitura, fabrico, fornadas
Podia ser chamada Elka, Astrid, Mina
mas Benta a quis Maria e Maria
deu-se ao mar
O mar engoliu minha mãe
tomou Maria todinha
Minha mãe tornou-se o mar
de curvas altas, sinuosas
temperamento aflito, absoluto
Construtor de orlas, costas, areias
recifes, ondas, eu profundo
Tornou-se uma grande cheia
ameaçou inverso dilúvio
E eu sou aquela noz ribeira
que, errante, de veia em veia
desaguou no fundo de tudo
Ensaio
Estamos em experiência Y
Eu sei X
Se sair dois de mim, sai uma menina
um de mim um de você, um menino
dois de você, dois meninos com cabeças azuis
três de mim, uma menina e meia de cabeça púrpura
três de você, um menino meio sem cabeça
não acho que combina