A Confraria dos Infelizes

A Confraria dos Infelizes
cria novas diretrizes
para esta reunião:
— Fica estabelecido que falar é improvável
viver é insondável
Rir é abrir um mar de fogo
Portar três anéis de Saturno
em frente a Aldebarã
Rir é – doravante – além de tudo
“pequeno”, portanto negado
É crime sujeito a penas e leis
— Estais proibidos de rir, vós que adentrais
a Simba
O tilintar de nossos ossos infelizes
diz um severo e ranzinza não para as vossas desconfianças
e abestamentos
Ranzinza para mostrar o quanto queremos que pareceis tolos perante vós mesmos quando abestados
Severo, para que nos confieis sempre, sem perguntas
— Desconfigurem-se as vossas vontades
Vós não podeis rir nunca mais!
Que afronta! Com tanta
miséria, descalabro, estupidez
no mundo
vós quereis rir!
Só vós
— E tu? Não pensais por um minuto
em quantas lágrimas rolam enquanto tu ris
E vós outros, em quantas dores penumbram a humanidade
enquanto de vossas bocas sai apenas alegria
Que corem as vossas dignidades
— Também fica estipulado que precipitar-se fora é terminantemente proibido
Vós que chegais a essa hora por aqui
com esse riso estúpido na cara

A Casa dá por iniciada a sessão.