A Dor

Uma lacuna um buraco enorme e sem fim dentro do peito
como o rombo de uma explosão em Hiroshima
o que corrói a vida de quem ri
sem rima
como o oco sem fundo sem fim sem meio

Vontade de desaparecer em meio ao éter do mundo
ir ao fundo do que não existe
fundir-se ao inconcreto
que jaz sem gritar que arde

Precisar morrer por um segundo
apenas
e saber que não se morre por um segundo
nem por um segundo que seja

A dor
Quer comer a alma dos poetas
porque sempre come do melhor