Uma lacuna um buraco enorme e sem fim dentro do peito
como o rombo de uma explosão em Hiroshima
o que corrói a vida de quem ri
sem rima
como o oco sem fundo sem fim sem meio
Vontade de desaparecer em meio ao éter do mundo
ir ao fundo do que não existe
fundir-se ao inconcreto
que jaz sem gritar que arde
Precisar morrer por um segundo
apenas
e saber que não se morre por um segundo
nem por um segundo que seja
A dor
Quer comer a alma dos poetas
porque sempre come do melhor
A Dor
Ana Peluso
quarta-feira, março 12, 2025
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